Chapeuzinho Vermelho
- Lílian Houndley

- há 15 horas
- 3 min de leitura
Charles Perrault
Era uma vez uma pequena menina do campo, a mais esperta que se podia ver; sua mãe era louca por ela, e sua avó mais louca ainda. Essa boa senhora, a avó, mandou fazer para a criança um pequeno chapeuzinho vermelho que lhe caía muito bem. Por isso, em todos os lugares a chamavam de Chapeuzinho Vermelho.
Um dia, sua mãe, tendo feito algumas tortas, disse-lhe:
— Vá ver como está sua avó, pois me disseram que ela está doente. Leve para ela uma torta e este pequeno pote de manteiga.
Chapeuzinho Vermelho partiu imediatamente para a casa da avó, que morava em outra aldeia. Ao passar por um bosque, encontrou o Lobo, que teve uma enorme vontade de devorá-la; mas não ousou fazê-lo, por causa de alguns lenhadores que estavam na floresta. Ele perguntou aonde a garota ia. A pobre criança, que não sabia como era perigoso parar para escutar um lobo, respondeu:
— Vou visitar minha avó e levar-lhe uma torta e um pequeno pote de manteiga que minha mãe lhe manda.
— Ela mora muito longe? — perguntou o Lobo.
— Oh! sim — respondeu Chapeuzinho Vermelho. — É além do moinho que o senhor vê lá longe, na primeira casa da aldeia.
— Pois bem — disse o Lobo —, também quero ir visitá-la. Vou por este caminho, e você por aquele; veremos quem chega primeiro.
O Lobo começou a correr com toda a força pelo caminho mais curto; e a menina seguiu pelo mais longo, divertindo-se em colher avelãs, correr atrás de borboletas e fazer buquês com as pequenas flores que encontrava.
O Lobo não demorou a chegar à casa da avó; bateu à porta:
— Toc, toc.
— Quem é?
— É sua neta, Chapeuzinho Vermelho — disse o Lobo, imitando sua voz —, que lhe traz uma torta e um pequeno pote de manteiga que minha mãe mandou.
A boa avó, que estava de cama por se sentir um pouco mal, gritou:
— Puxe a cordinha e a trava da porta cairá.
O Lobo puxou a cordinha e a porta se abriu. Ele se lançou sobre a boa mulher e a devorou num instante, pois já fazia mais de três dias que não comia. Depois fechou a porta e foi deitar-se na cama da avó, esperando Chapeuzinho Vermelho, que algum tempo depois veio bater à porta:
— Toc, toc.
— Quem é?
Chapeuzinho Vermelho, ao ouvir a voz grossa do Lobo, assustou-se a princípio; mas, acreditando que sua avó estivesse resfriada, respondeu:
— É sua neta, Chapeuzinho Vermelho, que lhe traz uma torta e um pequeno pote de manteiga que minha mãe mandou.
O Lobo gritou, suavizando um pouco a voz:
— Puxe a cordinha e a trava da porta cairá.
Chapeuzinho Vermelho puxou a cordinha e a porta se abriu.
O Lobo, vendo-a entrar, disse-lhe, escondido na cama sob as cobertas:
— Coloque a torta e o pote de manteiga sobre a arca e venha para perto de mim.
Chapeuzinho Vermelho retirou o capuz e foi para perto da cama, onde ficou muito espantada ao ver como sua avó estava diferente em roupas de dormir. Então lhe disse:
— Minha avó, que braços grandes a senhora tem!
— É para te abraçar melhor, minha filha!
— Minha avó, que pernas grandes a senhora tem!
— É para correr melhor, minha criança!
— Minha avó, que orelhas grandes a senhora tem!
— É para ouvir melhor, minha criança!
— Minha avó, que olhos grandes a senhora tem!
— É para ver melhor, minha criança!
— Minha avó, que dentes grandes a senhora tem!
— É para te comer!
E, dizendo essas palavras, o malvado Lobo lançou-se sobre Chapeuzinho Vermelho e a devorou.

Comentários